O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pediu ao
Supremo Tribunal Federal (STF) abertura de inquérito para investigar se o
senador José Agripino Maia (RN), presidente do DEM, recebeu dinheiro – cerca de
R$ 1 milhão – em 2010 em troca de não colocar obstáculos à aprovação de um
projeto de lei que previa implantação da inspeção veicular obrigatória no Rio
Grande do Norte.
Como Agripino tem foro privilegiado (em razão da condição de
senador), a abertura de investigações precisa ser autorizada pelo STF. O pedido
da PGR é para que o parlamentar seja investigado por suposto crime de corrupção
passiva. A decisão de abrir ou não o inquérito será tomada pela ministra Cármen
Lúcia.
Em nota divulgada nesta segunda-feira, 23, o senador José
Agripino afirmou desconhecer “o teor da suposta acusação”. Na nota, Agripino
também destaca que o ex-procurador-geral da República Roberto Gurgel arquivou,
em 2012, pedido de investigação contra ele encaminhado pelo MPF do Rio Grande
do Norte. “Estaria eu sendo objeto de denúncia de igual teor à que a
Procuradoria Geral da República já teria apurado e arquivado? Por que razão
estes fatos, que não são novos, estariam sendo retomados neste momento?”,
questionou.
Ao G1, Agripino disse por telefone que não foi informado
sobre o pedido de abertura de inquérito pela PGR e que, portanto, não poderia
se manifestar a respeito. “Eu desconheço o assunto. O que posso dizer é que não
fui informado de nada”, afirmou.
Operação Sinal Fechado
O caso começou a ser investigado em 2011 pela Polícia
Federal, na Operação Sinal Fechado, e voltou a ser abordado pela PGR devido a
novos elementos trazidos às investigações após depoimento com base em acordo de
delação premiada do advogado e empresário George Olímpio, que ocorreu somente
em agosto do ano passado.
Olímpio teria feito pagamento de propina a políticos e
deputados para viabilizar a aprovação, na Assembleia Legislativa do Rio Grande
do Norte, da inspeção veicular no estado.
Em 2011, na deflagração da Operação Sinal Fechado, 12
pessoas foram presas, dentre as quais o próprio empresário – no total, 27 foram
denunciadas pelo Ministério Público. A Justiça acatou a denúncia.
No domingo, 22, o “Fantástico” divulgou trecho do depoimento
do empresário George Olímpio, em que ele afirma que Agripino pediu R$ 1 milhão
para a campanha política de 2010, doação que teria sido feita com ajuda de um
agiota. Ao MP, ele disse que pagou o dinheiro supostamente solicitado pelo
senador por temer que o DEM pudesse prejudicar a tramitação da proposta, caso
conseguisse eleger Rosalba Ciarlini governadora.
Gazeta do Oeste
Nenhum comentário:
Postar um comentário